Rastros que desembocam agora

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Rastros que desembocam agora

Gosto mesmo de rever trabalhos antigos, encontros, rastros que tecem os caminhos de agora. Muitos plurais porque a vida não é singular, reta, única. Há tantas possibilidades e esquinas a cruzar. Há tantos eus que me compõem. Há tantos vocês em mim. Há tantas danças na minha dança. Há tantos corpos…

Reencontrei este video que por acaso chama-se AMOR. Essa cena era um trecho de uma coreografia maior e o videomaker salvou esse arquivo como AMOR. Parece-me significativo este nome e o que essas imagens me mobilizaram a ponto de considerar relevante trazê-la e comentá-la por aqui. No final de tudo o que fica mesmo é o amor ou o contrário dele que não sei determinar o que é, mas identifico que em tudo – mesmo no seu contrário – há o amor.

Amor no sentido de afeto – afetar-me – das coisas que nos tocam, das danças que me atravessam: Clênio, Sobre Rodas…?, Grupo X, Artmacadam, Alito, Gilles, Lucas, Meia Lua, Chathy, Gatinha, Estela, Gira, Candoco…… e as reticências que significam rastros, sequência de pontos que indicam continuidade e passado.Sou adepto das vírgulas e reticências.

Agora que sou professor efetivo da Escola de Dança da UFBA – lugar que consolidou e construiu meus caminhos na arte – penso em estratégias para manter as reticências, as vírgulas, as bifurcações no meu caminho. Encontrar brechas para cruzar as esquinas.

Em abundância, eu gosto mesmo dos plurais!

Hugo Leonardo e Edu O. em dueto na coreografia “Vem, amor…” do Grupo X de Improvisação em Dança

Comecei escrevendo nesse blog como forma de chamar atenção para as ações do projeto Um Jardim para Judite.

Mas, agora que ele acabou, você falará de que?

Dos rastros que me trouxeram até aqui.

Mas por que?

Porque sem os rastros não existe caminho.

Para quem?

Uma amiga me lembrou que quase ninguém mais entra em sites, em blogs. Quase ninguém mais lê as coisas que escrevemos (até  entendo, qual a importância se há um golpe galopante e há tanta coisa a se fazer?). Então, escrevo para me lembrar quem sou. Escrevo porque esse pode ser um lugar de troca para quem se interessar em pensar sobre as coisas que penso, para quem – de alguma forma – experimenta o mundo e compartilha dessas experiências. Se não houver ninguém para ler/trocar, valeu o exercício do pensar, escrever. Valeu me ver um pouco mais de perto.

 

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