Não é gente, mas é como se fosse

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Não é gente, mas é como se fosse

Como um abraço apertado, passamos este ano agarrados, mais do que o de costume desde quando tudo começou há uns anos atrás. Não prevíamos que fosse durar tanto e nem tantas coisas acontecessem. Peguei-me falando do nascimento de coisa como se filha fosse, como gente, como alguém que amanhece dando bom dia, toma café na mesma mesa, parte para o trabalho ou para brincar juntos, retorna cansado de tantas horas fora e deita na mesma cama para sonhar. Não é gente, mas é como se fosse. Agita minha vida em projetos, em danças, encontros. Deu-me certezas e inseguranças. Pegou-me pelas mãos e levou-me pelo mundo – voando. E faz-me chorar e rir e chorar novamente e rir sempre… Parece-se com trechos d’O Guardador de Rebanhos de Fernando Pessoa:

Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

[…]

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Assim, atravessamos o tempo e nos momentos que preciso de colo, volto a pensar no que vivemos e ela me acalenta, mostrando que ainda há tanto futuro.

 

ilustração Luis Augusto para a história em quadrinhos Os destinos de Judite

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