Espetáculo

“Judite Quer Chorar, Mas Não Consegue! é um momento de grande inspiração neste começo de milênio: é imprescindível, como nos diz Garaudy, não apenas viver a vida, mas, sobretudo, ter a ousadia de dançá-la com uma força tal capaz de fazer crer que há sim um outro mundo possível, um mundo mais forte e justo, muito mais belo e verdadeiro e mais: que é possível vivenciá-lo em toda a sua plenitude. Edu é, ele mesmo um testemunho vivo, decisivo para a compreensão desta equação: a sua capacidade expressiva é tal que não consigo vê-lo de fora do anuncio de um novo tempo!”

Saja - Filósofo Profº Drº da Escola de Filosofia da UFBA

“Judite quer chorar, mas não consegue!” é um espetáculo solo do coreógrafo/dançarino Edu O., que faz uma viagem aos símbolos e metáforas da transformação, perda e anulação de vida. Este projeto foi concebido a partir de elementos autobiográficos que retratam a resistência às transformações. Apesar de tratar-se de temas fortes e difíceis, tudo passa por um filtro poético e lírico com uma estética leve e lúdica que flerta com as histórias em quadrinhos e desenhos animados.

O espetáculo “Judite quer chorar...” propõe, acima de tudo, uma reflexão sobre a solidão humana, questionando o ser indivíduo (diferente) numa contemporaneidade padronizada e repleta de repetição de símbolos e ícones.

Judite é uma lagarta que não quer ser borboleta. Ao invés de ocupar o seu lugar no mundo, do qual morre de medo, ela escolheu ficar quietinha no seu canto. Judite mora numa folha de comigo-ninguém-pode, planta venenosa, em vez de desfrutar da beleza das rosas. Lá ela se confunde com a própria planta, passa o dia tomando chá de frutas vermelhas, comendo chocolate e olhando para o teto.
Enquanto dançarino, Edu O. explora as particularidades do seu corpo, dando margem a outros desenvolvimentos poéticos e diferentes possibilidades para a execução dos movimentos. Seu trabalho busca a especificidade destas diferenças, numa atitude de afirmação, ao contrário da tentativa de imitar da partitura de outros corpos.

Buscando mergulhar nas questões psicológicas do personagem, Edu aprofundou-se em sua pesquisa da técnica de Improvisação (iniciada em 1999 com o Grupo X de Improvisação em Dança) e também na técnica de Clown, por acreditar que seriam valiosos suportes técnicos para a criação de Judite e toda a concepção do espetáculo.

Este projeto desdobrou-se em outras ações como livro infantil impresso (2010), audiobook com narração da atriz Malu Mader (2013), oficinas de dança para criança "Despertando Judites" e Contação de História feita por Ana Luiza Reis. Todas as apresentações deste espetáculo são realizadas com tradução em LIBRAS, favorecendo o acesso de crianças surdas.

Sucesso de público e crítica desde 2006, Judite quer chorar, mas não consegue!, já excursionou por cidades do Brasil e exterior, atingindo um público superior a 20.000 pessoas.

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